UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA
CURSO: LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA
DISCIPLINA: INFORMÁTICA APLICADA A EDUCAÇÃO FÍSICA
PROFESSOR: HALLISSON
ALUNO: ANTONIO LUÍS
ALCIONE
ARLEZIANA
DARLY
EDNALDO
ZÓDYJA
FILOSOFIA E SOCIOLOGIA DA TECNOLOGIA DIGITAL
CRATEÚS-CE
MARÇO 2009
APRESENTAÇÃO
Podemos definir, inclusão digital, como recursos pedagógicos utilizados para dar suporte ao processo ensino-aprendizagem, contendo materiais eletrônicos reutilizáveis, sejam essas informações em forma de imagens, páginas HTM, animações ou simulações, tais como laboratórios virtuais, demonstrações de funções matemáticas, experiências envolvendo conceitos de genética, velocidades, forças e demais grandezas físicas, explorações do espaço e outras vivências laboratoriais não acessíveis aos estudantes em salas de aula e laboratórios tradicionais.
Um dos objetivos do programa é preparar os professores-alunos para a utilização do computador como ferramenta para construir conhecimento. Deste modo, tornou-se pertinente, no contexto deste trabalho, analisar como se dá esta utilização e de que forma os professores apropriam-se da tecnologia e modificam (ou não) sua prática pedagógica.
Em sua dinâmica, além de outras atividades didáticas, há as sessões de Trabalho Monitorado, as quais proporcionaram a coleta de material a ser estudado nesta pesquisa, por considerar-se que é possível analisar, descrever e entender como professores-alunos constróem conhecimento através das ações desenvolvidas na interação entre elas e seus professores-assistente.
Começando pela questão da inclusão, ressalta-se que o desenvolvimento explosivo das novas tecnologias na segunda metade do século XX, em especial a Informática, potencializou um novo contexto sócio-político-cultural sobretudo na organização capitalista.
Assim analisou-se a inclusão digital, herança da inserção nas sociedades das novas tecnologias de informação e comunicação, especialmente da Internet, tendo um olhar mais cuidadoso quanto à educação e os rebatimentos das TICs na escola.
Como pôde ser observado, o Brasil não está em pior situação, mas há muitos países que encontram-se em posições extremamente mais confortáveis, atingindo altos índices de inclusão dos meios digitais na vida de seus cidadãos.
Segundo dados do IBGE[1]/2003 sobre a situação da população brasileira, que integra um relatório anual produzido pela ONU, sobre desenvolvimento, população e pobreza, constata-se que em todo o território brasileiro, 49 milhões de pessoas, aproximadamente um terço da população, vivem com renda igual ou inferior à meio salário mínimo.
São acrescentados a esse número, 5 milhões de brasileiros sem fonte de renda: são 54 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, o que significa que uma grande parte da sua população hoje está excluída de utilizar o mínimo necessário para uma vida digna e saudável: não tem acesso/garantia de permanência à educação; moradia; alimentação; saúde e saneamento básico; não tem emprego ou como gerar renda...
A desigualdade na distribuição de renda é uma das características que mais impressionam na sociedade brasileira. E esteve presente praticamente por todo o período para o qual há estatística. A história mais recente do Brasil (desde os anos 80) mostra mudanças significativas: o país passou da ditadura à democracia (tendo como exemplo emblemático as eleições diretas para Presidente da República), das altas taxas inflacionárias à estabilização econômica (com o Real chegando a valer o mesmo que o Dólar), da estatização à privatização, do fechamento à abertura comercial (nos início dos anos 90, houve a abertura da reserva de mercado de informática). E a desigualdade social? Só aumentou, mantendo o país na faixa dos mais desiguais do mundo...
Há políticas públicas compensatórias (Renda Mínima, Bolsa Escola, Fome Zero, Primeiro Emprego etc), contudo, somente o que poderá provocar mudanças verdadeiras nos quadros apresentados, será uma distribuição de renda menos desigual e incentivos para que a educação seja vista como prática para a liberdade como defendia Paulo Freire.
A exclusão digital é uma exclusão que aprofunda, que torna muito mais perigosas as velhas mazelas da sociedade desigual, ampliando estas desigualdades de maneira exponencial.
"Nos EUA, a Internet começou a partir de uma acentuada divisão de acesso, uma divisão que ainda permanece, (.. ) mas o hiato parece estar se fechando à medida que as taxas de difusão atingem a maioria da população. Com taxas projetadas de penetração de 63% dos americanos on-line em 2003, e mais de três quartos por volta de 2005, a divisão digital, em termos de acesso à Internet, será um problema do segmento mais pobre, mais discriminado da população - agravando assim sua marginalidade" (Castells, 2003, p. 208).
A inclusão digital deve ser considerada como agenda no campo das políticas públicas, como um objetivo social e educacional a ser atingido. E a utilização da Internet, assim, poderia ser encarada como uma necessidade básica para que possam ser criadas, verdadeiramente, condições para que esta seja um catalisador de transformações sociais, visando uma sociedade mais democrática.
E entre os excluídos se encontram os próprios educadores, os quais estão impedidos de participar do poder decisório - devido, especialmente, ao modelo de administração do sistema escolar - mesmo sendo eles os que estão diariamente na escola deparando-se com as mais diversas mudanças e imposições sem oportunidade de opinar ou de participar do processo coletivo de construção.
"A escola deve abrir suas portas e derrubar suas paredes não apenas para que possa entrar o que se passa além de seus muros, mas também para misturar-se (...) e construir uma comunidade de aprendizagem no próprio contexto" (Imbernón, 2000, p. 85). Isto deve acontecer de tal forma que o educador esteja pronto a exercer sua profissão e enfrentar as situações que se lhe apresentarem de forma competente e segura - como a inserção das TICs em seu contexto de trabalho.
Para tanto, deve ser formado de maneira condizente com as novas exigências da sociedade atual, de modo que a ele sejam facultadas condições tanto teóricas quanto práticas para que a sociedade o perceba como peça fundamental no processo educativo e mais ainda, no processo de mudança, de transformação social.
É preciso que o educador vá além do que o monitor do computador apresenta e que o perceba como um possibilitador "para encetar reflexões a respeito das hipóteses testadas e dos conceitos envolvidos" (Almeida, 1996, p. 16) nas atividades que realizará com seus alunos. Assim, tirando proveito do que a tecnologia oferece para um pleno desenvolvimento de sua ação educativa, poderá, realmente, praticar uma verdadeira mediação pedagógica, promovendo a construção de saberes significativos, especialmente em ambientes de aprendizagem que a utilizem, incitando os educandos a "compartilhar saberes, representações, práticas, valores e emoções, de modo a viabilizar a construção de uma comunidade colaborativa de aprendizagem" (Pesce, 2003, p. 102).
Neste contexto, a tecnologia pode contribuir facilitando a aprendizagem. Operar segundo este paradigma favorece maior interesse na busca de respostas e é um passo muito importante para a construção do conhecimento, assim como para a inclusão social e digital.
CONCLUSÃO
A análise sobre os impactos sociais, econômicos e políticos da produção social mediada pelo meio computacional, sem dúvida é um grande avanço a possibilidade de cada indivíduo produzir conhecimento em colaboração com seus pares e trocar informações livremente. Apesar disso, tendo a manter cautela quanto ao nível de entusiasmo. Ainda são milhões excluídos dessa Economia de Informação Interconectada. Apesar da existência de algumas iniciativas de inclusão digital, a sensação maior é a massa de indivíduos que precisam ser ouvidos, alfabetizados e educados para ter uma participação ativa no avanço do conhecimento humano.
As disciplinas ligadas as ciências sociais tornam-se oportunas por serem capazes de gerar insumos para novas reflexões, experimentos, diferentes tipos de pesquisas e atualização para este segmento profissional.
Nota-se a urgente necessidade da ampliação do diálogo entre a Universidade, as indústrias, serviços mediáticos, a sociedade local e as corporações profissionais. O legitimador Conselho Estadual da Educação recomenda para os cursos superiores dessa área profissional, os projetos de conclusão de curso. Contando tais projetos (projetos experimentais, monografias, artigos científicos e estágios supervisionais) conferem grandes oportunidades para os recém formados ingressarem no mercado de trabalho. Paralelamente, podem ser também um espaço comum das disciplinas de filosofia, de sociologia, de análise cultural e outros.
BIBLIOGRAFIA
FREIRE, Paulo. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora UNESP, 2000.
BELLONI, Maria Luiza, GOMES, Nilza Godoy, SOUZA, Rose Aparecida de. A APROPRIAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) POR CRIANÇAS EM SITUAÇÃO DE RISCO SOCIAL. Anais do II Seminário ATIID, São Paulo 23-24/09/2003 disponíveis on-line em: http://www.fsp.usp.br/acessibilidade
Podemos definir, inclusão digital, como recursos pedagógicos utilizados para dar suporte ao processo ensino-aprendizagem, contendo materiais eletrônicos reutilizáveis, sejam essas informações em forma de imagens, páginas HTM, animações ou simulações, tais como laboratórios virtuais, demonstrações de funções matemáticas, experiências envolvendo conceitos de genética, velocidades, forças e demais grandezas físicas, explorações do espaço e outras vivências laboratoriais não acessíveis aos estudantes em salas de aula e laboratórios tradicionais.
Um dos objetivos do programa é preparar os professores-alunos para a utilização do computador como ferramenta para construir conhecimento. Deste modo, tornou-se pertinente, no contexto deste trabalho, analisar como se dá esta utilização e de que forma os professores apropriam-se da tecnologia e modificam (ou não) sua prática pedagógica.
Em sua dinâmica, além de outras atividades didáticas, há as sessões de Trabalho Monitorado, as quais proporcionaram a coleta de material a ser estudado nesta pesquisa, por considerar-se que é possível analisar, descrever e entender como professores-alunos constróem conhecimento através das ações desenvolvidas na interação entre elas e seus professores-assistente.
Começando pela questão da inclusão, ressalta-se que o desenvolvimento explosivo das novas tecnologias na segunda metade do século XX, em especial a Informática, potencializou um novo contexto sócio-político-cultural sobretudo na organização capitalista.
Assim analisou-se a inclusão digital, herança da inserção nas sociedades das novas tecnologias de informação e comunicação, especialmente da Internet, tendo um olhar mais cuidadoso quanto à educação e os rebatimentos das TICs na escola.
Como pôde ser observado, o Brasil não está em pior situação, mas há muitos países que encontram-se em posições extremamente mais confortáveis, atingindo altos índices de inclusão dos meios digitais na vida de seus cidadãos.
Segundo dados do IBGE[1]/2003 sobre a situação da população brasileira, que integra um relatório anual produzido pela ONU, sobre desenvolvimento, população e pobreza, constata-se que em todo o território brasileiro, 49 milhões de pessoas, aproximadamente um terço da população, vivem com renda igual ou inferior à meio salário mínimo.
São acrescentados a esse número, 5 milhões de brasileiros sem fonte de renda: são 54 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, o que significa que uma grande parte da sua população hoje está excluída de utilizar o mínimo necessário para uma vida digna e saudável: não tem acesso/garantia de permanência à educação; moradia; alimentação; saúde e saneamento básico; não tem emprego ou como gerar renda...
A desigualdade na distribuição de renda é uma das características que mais impressionam na sociedade brasileira. E esteve presente praticamente por todo o período para o qual há estatística. A história mais recente do Brasil (desde os anos 80) mostra mudanças significativas: o país passou da ditadura à democracia (tendo como exemplo emblemático as eleições diretas para Presidente da República), das altas taxas inflacionárias à estabilização econômica (com o Real chegando a valer o mesmo que o Dólar), da estatização à privatização, do fechamento à abertura comercial (nos início dos anos 90, houve a abertura da reserva de mercado de informática). E a desigualdade social? Só aumentou, mantendo o país na faixa dos mais desiguais do mundo...
Há políticas públicas compensatórias (Renda Mínima, Bolsa Escola, Fome Zero, Primeiro Emprego etc), contudo, somente o que poderá provocar mudanças verdadeiras nos quadros apresentados, será uma distribuição de renda menos desigual e incentivos para que a educação seja vista como prática para a liberdade como defendia Paulo Freire.
A exclusão digital é uma exclusão que aprofunda, que torna muito mais perigosas as velhas mazelas da sociedade desigual, ampliando estas desigualdades de maneira exponencial.
"Nos EUA, a Internet começou a partir de uma acentuada divisão de acesso, uma divisão que ainda permanece, (.. ) mas o hiato parece estar se fechando à medida que as taxas de difusão atingem a maioria da população. Com taxas projetadas de penetração de 63% dos americanos on-line em 2003, e mais de três quartos por volta de 2005, a divisão digital, em termos de acesso à Internet, será um problema do segmento mais pobre, mais discriminado da população - agravando assim sua marginalidade" (Castells, 2003, p. 208).
A inclusão digital deve ser considerada como agenda no campo das políticas públicas, como um objetivo social e educacional a ser atingido. E a utilização da Internet, assim, poderia ser encarada como uma necessidade básica para que possam ser criadas, verdadeiramente, condições para que esta seja um catalisador de transformações sociais, visando uma sociedade mais democrática.
E entre os excluídos se encontram os próprios educadores, os quais estão impedidos de participar do poder decisório - devido, especialmente, ao modelo de administração do sistema escolar - mesmo sendo eles os que estão diariamente na escola deparando-se com as mais diversas mudanças e imposições sem oportunidade de opinar ou de participar do processo coletivo de construção.
"A escola deve abrir suas portas e derrubar suas paredes não apenas para que possa entrar o que se passa além de seus muros, mas também para misturar-se (...) e construir uma comunidade de aprendizagem no próprio contexto" (Imbernón, 2000, p. 85). Isto deve acontecer de tal forma que o educador esteja pronto a exercer sua profissão e enfrentar as situações que se lhe apresentarem de forma competente e segura - como a inserção das TICs em seu contexto de trabalho.
Para tanto, deve ser formado de maneira condizente com as novas exigências da sociedade atual, de modo que a ele sejam facultadas condições tanto teóricas quanto práticas para que a sociedade o perceba como peça fundamental no processo educativo e mais ainda, no processo de mudança, de transformação social.
É preciso que o educador vá além do que o monitor do computador apresenta e que o perceba como um possibilitador "para encetar reflexões a respeito das hipóteses testadas e dos conceitos envolvidos" (Almeida, 1996, p. 16) nas atividades que realizará com seus alunos. Assim, tirando proveito do que a tecnologia oferece para um pleno desenvolvimento de sua ação educativa, poderá, realmente, praticar uma verdadeira mediação pedagógica, promovendo a construção de saberes significativos, especialmente em ambientes de aprendizagem que a utilizem, incitando os educandos a "compartilhar saberes, representações, práticas, valores e emoções, de modo a viabilizar a construção de uma comunidade colaborativa de aprendizagem" (Pesce, 2003, p. 102).
Neste contexto, a tecnologia pode contribuir facilitando a aprendizagem. Operar segundo este paradigma favorece maior interesse na busca de respostas e é um passo muito importante para a construção do conhecimento, assim como para a inclusão social e digital.
CONCLUSÃO
A análise sobre os impactos sociais, econômicos e políticos da produção social mediada pelo meio computacional, sem dúvida é um grande avanço a possibilidade de cada indivíduo produzir conhecimento em colaboração com seus pares e trocar informações livremente. Apesar disso, tendo a manter cautela quanto ao nível de entusiasmo. Ainda são milhões excluídos dessa Economia de Informação Interconectada. Apesar da existência de algumas iniciativas de inclusão digital, a sensação maior é a massa de indivíduos que precisam ser ouvidos, alfabetizados e educados para ter uma participação ativa no avanço do conhecimento humano.
As disciplinas ligadas as ciências sociais tornam-se oportunas por serem capazes de gerar insumos para novas reflexões, experimentos, diferentes tipos de pesquisas e atualização para este segmento profissional.
Nota-se a urgente necessidade da ampliação do diálogo entre a Universidade, as indústrias, serviços mediáticos, a sociedade local e as corporações profissionais. O legitimador Conselho Estadual da Educação recomenda para os cursos superiores dessa área profissional, os projetos de conclusão de curso. Contando tais projetos (projetos experimentais, monografias, artigos científicos e estágios supervisionais) conferem grandes oportunidades para os recém formados ingressarem no mercado de trabalho. Paralelamente, podem ser também um espaço comum das disciplinas de filosofia, de sociologia, de análise cultural e outros.
BIBLIOGRAFIA
FREIRE, Paulo. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora UNESP, 2000.
BELLONI, Maria Luiza, GOMES, Nilza Godoy, SOUZA, Rose Aparecida de. A APROPRIAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) POR CRIANÇAS EM SITUAÇÃO DE RISCO SOCIAL. Anais do II Seminário ATIID, São Paulo 23-24/09/2003 disponíveis on-line em: http://www.fsp.usp.br/acessibilidade
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